Manifestações no Domingo não ofende o Dia do Senhor

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Amanhã, no Dia do Senhor,  teremos uma manifestação nacional pelas ruas do Brasil. Nas últimas Conferências Gerais falou-se muito do Dia do Senhor. Em uma primeira analise podemos concluir que como membros da Igreja não devemos estar em outro lugar no domingo, a não ser na Igreja adorando o único Deus e participando dos ritos do Sacramento.

Dia do Senhor

Estar na igreja aos domingos é esperado dos membros da Igreja, principalmente dos que lideram e tem outras responsabilidades, além disso os membros devem levar o espirito do Dia do Senhor para os lares.  Guardar o Dia do Senhor deve ser mais do que algo restritivo ou compelido e sim um padrão de vida. Quando fui missionário deixei de ir na Igreja por dois domingos distintos, ambas as vezes foi para ser companhia para missionários acamados, uma vez que a regra é que nenhum missionário pode ficar sozinho. Todos os anos sou convocado para ser mesário, estou deixando de ir a Igreja para trabalhar voluntariamente para a Justiça Eleitoral. Estaria a Regra da Missão ou a Justiça Eleitoral acima do Mandamento do Dia do Senhor? Não, claro que não, o mandamento do Dia do Senhor é mais do que somente ir a Igreja; participar das Reuniões fazem parte do mandamento, mas não se limita a isso. Nessas situações santifiquei o Dia do Senhor mesmo não participando ativamente do Sacramento.

A igreja diversas vezes proclamou que não haveria uma lista do que se pode ou não fazer no Dia do Senhor, e isso está em acordo com a escritura: “Pois eis que não é conveniente que em todas as coisas eu mande; pois o que é compelido em todas as coisas é servo indolente e não sábio; portanto, não recebe recompensa.” (D&C58:26). Assim no Dia do Senhor é esperado que façamos o correto porém sem ser compelido, assim sendo nossos próprios árbitros e ocupando-se “zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de [nossa] livre e espontânea vontade e [realizando] muita retidão.” (D&C58:27-28).

Posicionamento da Igreja

A Igreja até agora não se posicional oficialmente sobre a participação dos membros em manifestações, e quando falo oficial, não é por meio de um discurso de autoridade geral em uma estaca, pois isso não é posicionamento oficial, e sim opinião do orador. A Igreja se posiciona oficialmente de duas formas: Conferencia Geral e Correspondência. Posicionamento oficial é registrado no qual qualquer um possa ter acesso seja através do líder ou pelos meios que a igreja disponibiliza.

Quanto a posicionamento oficial, temos o que a Igreja espera de seus membros.

21.1.29 Atividade Política e Cívica

Na qualidade de cidadãos, os membros da Igreja são incentivados a participar dos assuntos políticos e governamentais, inclusive do envolvimento no partido político de sua escolha. Também são incentivados a envolverem-se ativamente em causas justas para melhorar sua comunidade no intuito de fazer dela um bom lugar para morar e criar a família.

De acordo com as leis de seus respectivos governos, os membros são incentivados a cadastrar-se como eleitores, estudar as questões e os candidatos políticos com muito cuidado e votar nas pessoas que acham que agirão com integridade e bom senso. Os santos dos últimos dias, especialmente, têm a obrigação de buscar, apoiar e dar seu voto a líderes que sejam honestos, bons e sábios (ver D&C 98:10).

Embora defenda o direito de expressão nas questões políticas e sociais, a Igreja é politicamente neutra em relação a partidos, plataformas ou candidatos a cargos políticos. Ela não endossa nenhum partido, plataforma ou candidato político. Também não aconselha aos membros como votar. Contudo, em algumas ocasiões excepcionais, a Igreja assume uma posição em relação a uma lei específica, particularmente quando concluir que questões morais estão envolvidas.

(…)

Os membros são incentivados a apoiar medidas que fortaleçam a estrutura moral da sociedade, especialmente as que visem manter e fortalecer a família como unidade fundamental da sociedade.

(Grifo do autor, para o texto completo veja 21.1.29 Atividade Política e Cívica)

Qualquer individuo que ensine na igreja que não devemos participar de manifestações está claramente indo contra o posicionamento da Igreja e contra a Constituição Federal (artigo 5º que define os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos). Assim como nosso direito religioso é protegido pela constituição o nosso direito a manifestação também é. Portanto estamos exercendo a cidadania e ocupando-se zelosamente por uma boa causa quando manifestamos abertamente nosso posicionamento seja moral ou político.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: […] II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; […] IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; […] XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; […] XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; (BRASIL, 1988)  (trechos da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988)

Sejamos nossos próprios árbitro

Temos o direito de sermos nossos próprios arbitro, assegurado pela constituição e por Deus. Portanto devemos individualmente decidir como agir “numa boa causa (…) e realizar muita retidão.”  Quem for à manifestação, não deverá esquecer de observar a conduta que deve continuar tendo como Santos dos Últimos Dias, participando de forma ordeira e cuidando para que não fira o Espírito do Senhor no dia Santificado. “Em lembrança de nosso Deus, nossa religião e nossa liberdade e nossa paz, nossas esposas e nossos filhos” (Alma 46:12) busquemos o melhor para nós, para nossas famílias e para nossa nação.

FONTES:
Doutrina e Convênios 58:26-18
Manual 2 | 21.1.29 Atividade Política e Cívica
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988
LM | Estandarte da Liberdade Alma 46:12-13

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COMENTÁRIOS

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15 Resultados

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  1. Antonio disse:

    Sobre o Post. Sei Que ele é antigo. Mas gostaria de expressar um pouco minha opinião sobre o Tema. Analisem o nome designado ao 1° Dia da Semana: DIA DO SENHOR. O Dia é exclusivo Dele e Para Ele. Eu não participei desse evento e nem meus Líderes na época. Sabem por que? Vou lhes dizer. Só que antes deixar bem claro que não sou contra manifestações, pois é um direito do cidadão. O que quero dizer é que: Se hoje o povo fosse convocado para fazer isso, estariam cometendo um Erro grave diante do Criador. “Não farás Nenhuma Outra Obra No Meu Dia Santificado”, disse o Senhor. Ele também disse-nos que “O Grande e Terrível Dia Do Senhor Está Próximo”. O Grande e Terrível Dia Do Senhor se refere à Segunda Vinda do Salvador. Seria lindo né, O Senhor Aparecer nos céus e Vê Um Monte de Seus Filhos Fazendo Manifestações nas Ruas ao Invés de estarem Vigiando e Orando e Servindo no Seu Dia Santo. Reflita sobre isso. Pode sim fazer manifestação, mas no Domingo, NÃO!

    • Mateus 12
      11 E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tenha uma ovelha, e se num sábado a tal ovelha cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará?
      12 Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequência, lícito fazer o bem nos sábados. (entende-se sábado como Dia do Senhor, negrito feito pelo autor.)

      • Antonio José Rodrigues do Nascimento disse:

        O Dia Do Senhor antes da Ressurreição era designado o Sétimo Dia. Á A Palavra Hebraica a qual se refere à esse dia Santo é a palavra Sabbath. Essa palavra quer dizer DIA DE DESCANSO. Foi designado o Sétimo Dia para lembrar da grandiosidade da Criação desse mundo e por que Nesse dia Deus Descansou. Após a Ressurreição do Salvador Jesus Cristo, os Santos não mais observaram o Sétimo Dia como o Sabbtath do Senhor e Sim o Primeiro Dia Da Semana. E Sobre essa parte da ovelha cair num buraco no sabado, eu não aplicaria essa passagem nessa situação de Manifestações no Dia do Senhor. Essa explicação de fazer coisas boas no Dia Santo, alguns tem sim justificativas. Por exemplo, médicos trabalham e também outros Profissinais nesse dia. Mas essa escritura diz respeito a Salvar Almas, ajudar pessoas que estão fracas espiritualmente. Se meu irmão (ovelha) cair numa cova (passar por dificuldades físicas, emocionais, psicológicas, espirituais etc… é claro que é lícito fazer uma boa ação por ele no sabado. MAS FAZER BADERNA NO DIA DO SENHOR, ELE NÃO SE AGRADA DISSO. ATÉ POR QUE NUNCA HOUVE NA HISTÓRIA DO MUNDO UMA MANIFESTAÇÃO QUE TIVESSE DENTRO DOS LIMITES DA BOA CONDUTA E DA MORAL. SEMPRE TEM PALAVRÕES, SEMPRE TEM GRITARIA, SEMPRE TEM BADERNA. SOU MEMBRO DE Á A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS. GUARDO O PRIMEIRO DIA DA SEMANA COMO O DIA DO SENHOR, E SOU ABENÇOADO POR MEU DEUS POR OBSERVAR SEU DIA SANTO. MAS SE VOCÊ GUARDA O SÁBADO, É A SUA CRENÇA. NÃO CRÍTICO CRENÇA DE NENHUM FILHO DE DEUS, APENAS DEFENDO A VERDADEIRA DOUTRINA.

  2. Aurelio Lima disse:

    As pessoas podem fazer o que quiserem e justificarem seus atos – até os mais absurdos. Agora a igreja – representada por sua liderança local, CANCELAR TODAS as Reuniões Dominicais (isso aconteceu em Brasilia/DF) para que os membros participem de manifestações políticas, entendo que tira do membro a oportunidade de escolher entre uma e outra coisa (ir para a igreja e não ir para as manifestações, não ir para a igreja e ir para as manifestações ou não ir para a igreja e nem para as manifestações – esta não ficou prejudicada, mas n ão era uma escolha) .

  3. Muito bom e esclarecedor o artigo, nos deixa completamente livres para agir por nós mesmos, sendo nós nossos próprios juízes. Parabéns!!!!

  4. Selma Machado disse:

    O único jeito de ser honesto no dia do Senhor é votando…se manifestar indo as ruas…não vejo nada de sagrado nisso. Desculpas só satisfaz quem as dá. Nossas desculpas não nos garante a Exaltação. Ganhar o Reino dos Céus é para poucos. Ainda bem que ‘ Anjos anotam e veem todos os Atos’.

  5. Tão logo escrevo algo que desagrada aos homens recebo comentários anônimos com críticas. Apesar de ser um blog voltado a religião, eu não tenho o dever de aprovar todos os comentários que recebo; tenho aprovado todos os comentários, mesmo os com criticas os quais respondo, mas não aprovarei comentários anônimos.

    Quando algum irmão que não concorde com algo espero que tenha a minima descendia de se apresentar, com informações verdadeiras. Os que se escondem e usam de nomes e emails falsos, não terão seus comentários aprovados.

    Eu já cumpro o meu dever com a Igreja, o qual é deixar em qualquer página a informação que este não é um seite oficial. Antes de alguém querer exigir algo, tenha o conhecimento. Qualquer blog, por mais que você goste ou não, grupos no facebook, não representam a posição da igreja. A posição oficial da Igreja está vinculada em seus meios oficiais.

    Eu particularmente não tenho como missão a queda de nenhum membro da igreja como fui acusado. Pelo contrário, todo o meu material procuro estar mais próximo a posição da igreja. Se em alguns momentos coloco minha opinião pessoal, indignação e revolta isso é verdade, pois como membro eu posso fazer isso, algo que um líder não deve. Saiba que nenhum líder mesmo que presida a reunião tem o direito de dar sua opinião, e se o fizer ele está errado, pois está usando um meio oficial da igreja para isso, algo que eu não estou fazendo.

    E claro que eu posso falar o meu sentimento de revolta. Assim como qualquer um, mas isso não deve ser feito no anonimato. Hoje a igreja está muito politicamente correta, e polindo muito suas palavras para não ter problemas com a justiça. Hoje tudo é homofobia, tudo que era certo é errado.

    Não escrevo fora de contexto, somente expresso em minhas palavras o sentimento da grande maioria dos irmãos da igreja, aqueles que servem em seus chamados, pagam suas ofertas honestamente e frequentam a casa do Senhor.

  6. Robson disse:

    Acredito que se impeça de tomar o sacramento sim, ofende o dia do senhor, agora, se vc foi à reunião, se esforçou .assistir o sacerdócio e tomou o sacramento, ai não vejo nenhum problema após as reuniões vc ir.

  7. Jean disse:

    Gostei muito. Vejo que os princípios que a igreja defende corroboram com o princípio da legalidade e da reserva expressamente declarados na CRFB.

  8. Gostaria de compartilha um trecho do hino que catamos hoje na abertura da Reunião do Sacerdócio em minha ala.

    “Se o poder das trevas busca
    Destruir a lei de Deus,
    Deve Sião deixar a liça,
    Esquecer os votos seus? Não!

    Sempre fiéis nossa fé guardaremos,
    Sempre valentes, com ardor, lutaremos.
    A nossa mão e o coração,
    A teu serviço, Senhor, estão.

    A verdade procuramos,
    No caminho do Senhor,
    Pois a juventude luta
    Com empenho e destemor. Sim,”

    (Deve Sião fugir à luta? Hino 183)

    Fiquei muito pensativo com esse trecho, principalmente por conta de como o inimigo permeia em nossa sociedade de maneira tão sutil, que muitos santos acabam sendo enganados.

  9. Eduardo de Paula Barreto disse:

    .

    TOLO PROVIDENCIAL
    .
    Quem engana gosta de ser enganado
    Pois assim justifica os seus hábitos
    Ao considerar que enganar é normal
    Mas quem valoriza os bons princípios
    E mesmo assim apoia maus indivíduos
    Não passa de um tolo providencial.
    .
    Conceitos opostos se repelem
    Ideais semelhantes se aderem
    O bem atrai o bem e rejeita o mal
    A pessoa digna busca a dignidade
    Enquanto a que aceita a imoralidade
    Atrai pessoas de baixa moral.
    .
    O prazer em apoiar bandidos
    Demonstra o quão parecidos
    São os fãs com os seus ídolos
    Ambos têm na sua personalidade
    O mesmo apreço pela ilegalidade
    Por isso são medíocres e frívolos.
    .
    O cúmulo da estupidez
    Manifesta-se toda vez
    Que alguém dá atenção
    Ao chamado dos corruptos
    Que de cima dos púlpitos
    Condenam a corrupção.
    .
    Eduardo de Paula Barreto

    .

    .

  10. Cleiton Machado disse:

    Muito bom o artigo!!!

  11. Thiago Ramires disse:

    Muito bom o artigo. Demostra com clareza os pontos sem distorcer a verdade.