A Administração da Igreja (Presidente N. Eldon Tanner)

A Administração da Igreja

Presidente N. Eldon Tanner

Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência

Irmãos, sinto-me sempre humilde, quando me posto diante de um grupo de homens, portadores do sacerdócio de Deus, que é o poder de Deus, delegado ao homem, para que aja em seu nome, 10 ofício que possui. Tremo ao pensar no grande poder que seria exercido, se todo homem, portador do sacerdócio de Deus, vivesse de acordo com os ensinamentos do evangelho e o convênio que o Senhor estabeleceu com os portadores do sacerdócio.

O Sacerdócio Aarônico foi restaurado nestes últimos dias por João Batista, que impôs as mãos sobre a cabeça de Joseph Smith, conferindo-o sobre este. O Sacerdócio de Melquisedeque, como sabeis, foi conferido, mediante imposição das mãos, por Pedro, Tiago e João, que apareceram a Joseph Smith e Oliver Cowdery. Ora, cada um de vós porta o Sacerdócio de Melquisedeque, ou está-se preparando para possuí-lo. Permiti-me repetir-vos o juramento e convênio do sacerdócio:

“Pois aqueles que forem fiéis até a obtenção destes dois sacerdócios dos quais falei, e magnificam os seus chamados, são santificados pelo Espírito para a renovação de seus corpos.

“Eles se tornam os filhos de Moisés e de Aarão e a semente de Aarão, e a igreja e o reino, e os eleitos de Deus.

“E também todos os que recebem este sacerdócio, a mim me recebem, diz o Senhor; “ Pois aquele que recebe os meus servos, a mim me recebe; “E aquele que me recebe a mim, recebe o meu Pai; “E aquele que recebe o meu Pai, recebe o reino de meu Pai; portanto, tudo o que meu Pai possuir ser-lhe-á dado.

“E isto é de acordo com o juramento e convênio que pertence ao sacerdócio. “Portanto, todos os que recebem o sacerdócio, recebem este juramento e convênio do meu Pai, que não podem quebrar, nem deles podem ser removidos.” (D&C 84:33-40.)

O sacerdócio é o maior poder sobre a terra. A terra foi criada pelo poder do sacerdócio, assim como o universo, e todas as coisas a ele pertinentes. Esta Igreja foi organizada pelo poder do sacerdócio, por alguém chamado por Deus, por revelação.

Sabemos que Deus, o Pai, e seu Filho. Jesus Cristo apareceram a um rapaz. Joseph Smith, e que, desse momento em diante, ele foi continuamente guiado por revelação. Com respeito ao estabelecimento da Igreja, lemos isto:

“A origem da Igreja de Cristo nestes últimos dias. . . pela vontade e mandamentos de Deus. . .

“Mandamentos esses dados a Joseph Smith, o qual foi chamado por Deus, e ordenado apóstolo de Jesus Cristo, para ser o primeiro elder desta igreja.” (D&C 20: 1-2.)

E lemos, também: “Eis que um registro deverá ser conservado entre vós; e nele serás chamado vidente, tradutor, profeta, apóstolo de Jesus Cristo, elder da igreja pela vontade de Deus, o Pai, e pela graça do teu Senhor Jesus Cristo.” (D&C 21:1.)

Permiti-me assegurar-vos, meus irmãos, que pertenceis à Igreja de Jesus Cristo, e que a Igreja é dirigida por Jesus Cristo, através de um profeta de Deus, mesmo o nosso mui amado Presidente Spencer W. Kimball.

A igreja é uma Teocracia

Gostaria de mencionar-vos algo com respeito à forma como a Igreja funciona em sua sede, projetando-se às demais localidades. Sempre ouvimos referências à Igreja como sendo uma democracia, quando, na realidade, em vez de ser uma igreja onde o corpo é governado por oficiais eleitos pelos membros, é uma teocracia, dirigida por Deus por intermédio de representantes por ele escolhidos.

Nossa quinta Regra de Fé declara: “Cremos que um homem deve ser chamado por Deus, pela profecia e pela imposição das mãos, por quem possua autoridade para pregar o evangelho e administrar as suas ordenanças.”

Ora, este é o modo pelo qual Joseph Smith foi escolhido pelo Senhor, como presidente de sua Igreja, e designado por aqueles autorizados pelo Senhor a fazê-lo.

É sempre um testemunho para mim, quando leio a seção 107 de Doutrina e Convênios, ver como todos os ofícios do sacerdócio foram mencionados, e os deveres de cada um explicados a Joseph Smith. Lemos: “Do Sacerdócio de Melquisedeque, três sumos sacerdotes presidentes, escolhidos pelo grupo, e designados e ordenados a esse ofício, e apoiados pela confiança, fé e orações da igreja, formam o quorum da presidência da Igreja.

“E novamente, o dever do presidente do sumo sacerdócio é presidir toda a Igreja, e ser como Moisés — “ …sim , …s e r um vidente, revelador, tradutor e profeta, possuindo todos os dons de Deus que ele confere sobre a cabeça da Igreja.” (D&C 107:22, 91-92.)

E novamente: “Os doze conselheiros viajantes são chamados para ser os Doze Apóstolos, ou testemunhas especiais do nome de Cristo no mundo todo…

“E eles formam um quorum (isto é importante), igual em autoridade e podei aos três presidentes previamente mencionados.” (D&C 107:23-24.)

O que segue encontra-se registrado nos Ensinamentos do Profeta Joseph Smith: “Em seguida, o Presidente Joseph Smith passou a explicar o dever dos Doze, assim como a autoridade que possuem, que é apenas inferior à da Presidência da Igreja… Os Doze não estão sujeitos a ninguém, a não ser à Primeira Presidência … ‘e onde eu não estiver (ou seja, o presidente da Igreja), não há Primeira Presidência sobre os Doze.” (P. 103.)

Com a morte de Joseph Smith, os Doze tornaram-se a autoridade presidente da Igreja, tendo Brigham Young como presidente do Quorum dos Doze. Eles administraram os negócios da Igreja durante três anos e meio. Então, Brigham Young foi escolhido como presidente da Igreja, e ele escolheu e designou seus conselheiros. Houve, depois, três anos e dois meses entre sua morte e a posse de John Taylor como presidente da Igreja. Após a morte de John Taylor, passou-se um ano e nove meses, antes que Wilford Woodruff fosse escolhido, designado, e ordenado presidente da Igreja. A partir daí, somente alguns dias têm transcorrido entre a morte de um presidente e a designação do próximo — e os Doze continuam a presidir, quando do falecimento de um presidente, até que a nova Primeira Presidência seja organizada.

Sucessão na Presidência da Igreja

Gostaria de explicar-vos exatamente o que aconteceu após a inesperada morte do Presidente Harold B. Lee, no dia 26 de dezembro de 1973. Eu estava em Phoenix, Arizona, passando o Natal com minha filha e seus familiares, quando recebi um telegrama de Arthur Haycock, secretário do Presidente Lee. Ele dizia que o Presidente Lee estava gravemente enfermo, e que achava que eu deveria tratar de meu regresso o mais rapidamente possível. Meia hora depois, ele telefonou outra vez e disse: “O Senhor falou. O Presidente Lee foi chamado de volta ao lar.”

O Presidente Romney, em minha ausência, dirigia os negócios da Igreja, e estava no hospital em companhia de Spencer W. Kimball, presidente do Conselho dos Doze. Imediatamente após a morte do Presidente Lee, o Presidente Romney voltou-se para o Presidente Kimball e disse: “Você assume.” Lembrai-vos da instrução do Profeta Joseph Smith de que, sem o presidente da Igreja, não há Primeira Presidência sobre os doze.

Não se passou um minuto sequer entre o instante do falecimento do Presidente Lee e o ato de os Doze assumirem como autoridade presidente da Igreja.

Após o funeral do Presidente Lee, o Presidente Kimball convocou uma reunião de todos os Apóstolos, no domingo, 30 de dezembro, às 3 horas da tarde, na Sala do Conselho do Templo de Lago Salgado. O Presidente Romney e eu ocupamos nossas posições no Conselho, na ordem de nossos chamados(1), de maneira que havia quatorze de nós presentes.

Após um hino e a oração proferida pelo Presidente Romney, o Presidente Kimball, com grande humildade, expressou seus sentimentos para conosco. Disse que passou a sexta-feira no templo, falando com o Senhor, e que havia derramado muitas lágrimas, enquanto orava por orientação, a fim de assumir suas novas responsabilidades e escolher seus conselheiros.

Vestidos com os mantos do santo sacerdócio, realizamos o círculo de oração; o Presidente Kimball pediu-me que o dirigisse, e que o Elder Thomas S. Monson orasse. Após esta cerimônia, o Presidente Kimball explicou o propósito da reunião, e convidou cada membro do quorum. a partir do sênior, começando pelo Elder Ezra Taft Benson, e seguindo pela ordem, que expressasse seus sentimentos quanto a devermos organizar a Primeira Presidência naquele dia, ou prosseguirmos na direção como Quorum dos Doze. Cada um disse: “Devemos organizar agora”, e muitos comentários elogiosos foram acrescentados a respeito do Presidente Kimball e seu trabalho com os Doze.

A seguir, o Elder Ezra Taft Benson indicou Spencer W. Kimball para ser o presidente da Igreja. Foi imediatamente apoiado pelo Elder Mark E. Petersen, e unanimemente aprovado.

O Presidente Kimball indicou, então, N. Eldon Tanner como primeiro conselheiro, e Marion G. Romney como segundo ambos os quais manifestaram seu desejo de aceitar a posição e devotar todo o tempo e energia aos serviços desse cargo.

A aprovação dos nomes foi unânime. A seguir, o Elder Mark E. Petersen, o seguinte pela ordem de chamado ao Elder Benson, indicou este para ser o presidente do Quorum dos Doze, já que era o membro sênior. Isto foi aprovado unanimemente.

Neste momento, todos os membros presentes impuseram as mãos sobre a cabeça de Spencer W. Kimball, e o Presidente Ezra Taft Benson proferiu a bênção, ordenação e designação de Spencer W. Kimball como décimo segundo presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A seguir, o Presidente Kimball procedeu à designação de N. Eldon Tanner como primeiro conselheiro, e de Marion G. Romney, como segundo conselheiro na Primeira Presidência. Seguindo o mesmo procedimento, o Presidente Kimball pronunciou a bênção e designação de Ezra Taft Benson como presidente do Quorum dos Doze.

Escolher uma novo Apóstolo

Havia, então, onze membros dos Doze. o que requeria que um novo homem preenchesse a vaga no Quorum. Provavelmente estais interessados em saber de que modo são chamadas as Autoridades Gerais.

São escolhidas pelo Presidente, através de inspiração e revelação, após considerar os nomes daqueles que, a seu pedido, são recomendados pelos membros dos Doze, juntamente com os nomes daqueles que ele, pessoalmente, possa estar cogitando.

Devido à inspiração e revelação envolvidas, uma autoridade geral é, de fato. divinamente indicada, e seu nome é aprovado pelo Conselho dos Doze antes do chamado e designação, e, após, é pedido apoio na Conferência Geral.

Para vos dar um exemplo de como isto funciona, relatar-vos-ei uma experiência do Presidente Heber J. Grant. Enquanto servia como membro do Conselho dos Doze, quando lhe foi solicitado pelo Presidente da Igreja que submetesse nomes, repetidas vezes indicou o nome de um bom amigo para preencher uma das vagas entre os Doze.

O homem nunca foi chamado, e o Presidente Grant disse, segundo consta, que quando se tornasse presidente da Igreja, e houvesse uma vaga a preencher, ele chamaria aquele homem, por vê-lo tão bem qualificado.

Após tornar-se presidente, e ter necessidade de preencher uma vaga, ele disse ao Senhor que sabia quem gostaria de que preenchesse a vaga, mas queria escolher o homem que fosse da vontade do Senhor. O nome de Melvin J. Ballard, a quem o Presidente Grant mal conhecia, eio-lhe à mente e se conservou ali, para que soubesse que ele era o homem que deveria ser chamado. Foi indicado pelo Presidente Grant e aprovado pelos Doze. Foi ordenado e designado pela Primeira Presidência e o Conselho dos Doze, e, na Conferência Geral seguinte, apresentado aos presentes para o voto de apoio.

Permiti-me relatar-vos minha própria experiência. Enquanto servia como presidente da Estaca de Calgary, em Alberta, Canadá, compareci à Conferência Geral de outubro de 1960. em Lago Salgado. Na sexta-feira à noite, recebi um telefonema no Hotel Utah, onde estava hospedado, informando-me de que o Presidente McKay desejava entrevistar-me no sábado pela manhã — ou seja, na manhã seguinte. Naturalmente, por não saber o que ele desejava, dormi muito pouco naquela noite. Compareci ao seu escritório à hora aprazada, e, ao sentar-me em uma cadeira de frente para ele, olhou-me nos olhos, colocou sua mão sobre meu joelho e disse: “Presidente Tanner, o Senhor gostaria de que aceitasse um chamado para ser autoridade geral, como um assistente dos Doze.” A seguir, perguntou-me como me sentia a respeito.

Não sei exatamente o que disse. Tentei assegurar-lhe que me sentia muito honrado, porém desqualificado, mas pronto e desejoso de aceitar o chamado e dedicar todo o meu tempo e esforço ao serviço do Senhor.

Naquela manhã, meu nome foi lido para apoio, como assistente dos Doze, juntamente com os nomes dos elderes Franklin D. Richards e Theodore M. Burton, ao mesmo tempo que os demais nomes dos oficiais gerais da Igreja. A conferência manifestou o voto de apoio. Os oficiais em toda a Igreja são escolhidos praticamente do mesmo modo, em seus respectivos níveis.

A esta altura, eu poderia responder à pergunta acerca de como procedemos quando há um voto contrário. Tivemos um na Conferência de outubro de 1977. Alguns de vós ouvistes os procedimentos e se recordam de que a pessoa desejou que seu voto fosse registrado. Esta é a forma como procedemos, quando há um voto dissidente: Todo o povo, exceto um votou em apoio aos oficiais apresentados, e, assim, pedi-lhe que procurasse um membro dos Doze. O propósito de se pedir que a pessoa procure alguém, é que possa explicar o motivo pelo qual não se julgava preparado para apoiar as pessoas constantes da lista apresentada. Isso lhe dá oportunidade, se a pessoa tiver uma boa razão, de explicar por que determinado indivíduo não deve ser ou não se encontra qualificado para apoio; a pessoa encarregada de receber a explicação informará a Primeira Presidência.

Gostaria de relatar-vos uma experiência que tive quando fui enviado à Nova Zelândia, para reorganizar uma estaca. Eu jamais conhecera um neozelandês, além do presidente da estaca de lá. Solicitei uma lista dos bispos e do sumo conselho daquela estaca na Nova Zelândia, e, enquanto lia os nomes, notei um que me parecia destacar-se. O nome era Campbell. Toda vez que relia os nomes, ele me saltava aos olhos. O Bispo (John H.) Vandenberg estava comigo, e nós entrevistamos todas aquelas pessoas, depois de havermos orado para obter orientação.

Após todas as entrevistas, eu disse ao Irmão Vandenberg: “Clamemos ao Senhor por orientação”. Fizemos isso, e ao nos levantarmos, perguntei-lhe: “Se você tivesse a responsabilidade, quem escolheria como presidente da estaca?”

Ele me respondeu: “Bill Campbell”. Eu sequer lhe havia mencionado o nome. Essa foi outra evidência de que o Senhor dirige essas indicações.

Responsabilidades da Primeira Presidência

Todos os assuntos atinentes à administração da Igreja encontram-se sob a direção da Primeira Presidência, e os negócios estão divididos, basicamente, em três categorias:

Primeira, os assuntos administrados diretamente pela Primeira Presidência; segunda, os assuntos eclesiásticos administrados pelos Doze, sob a direção da Primeira Presidência; e terceira, os negócios temporais, administrados pelo Bispado Presidente, conforme lhe for designado pela Primeira Presidência.

Permiti-me citar-vos algumas das coisas que são administradas diretamente pela Primeira Presidência: Conferências de área, assembléias solenes; orçamentos; os departamentos educacional, histórico e pessoal; templos; auditoria; o Conselho de Coordenação; e os serviços de Bem-Estar.

Responsabilidades do Quórum dos Doze

Permiti-me agora esboçar rapidamente algumas das responsabilidades dos Doze. Sob a direção da Primeira Presidência, o Conselho dos Doze é responsável por todos os assuntos eclesiásticos da Igreja, e pela administração de todos os negócios eclesiásticos da Igreja levados a cabo pelos membros do Primeiro Quorum dos Setenta.

Os Doze têm a responsabilidade de programar as conferências de estaca em toda a Igreja, e de designar as autoridades gerais, que a elas comparecerão, as quais se realizam todas as semanas, durante todo o ano, exceto no mês de julho.

Todas as autoridades gerais procuram diligentemente preparar-se e usar os programas fornecidos para a reunião de sábado à noite, bem como para a sessão de domingo, objetivando motivar as pessoas em toda a Igreja a viverem melhor. Reúnem-se com as presidências de estaca e demais oficiais e debatem o progresso alcançado, e os métodos e recursos para st melhorar ainda mais. As autoridades gerais têm de deixar suas famílias durante pelo menos dois, e às vezes três ou quatro dias, podendo esse período estender-se até duas semanas, a fim de cumprir as designações de conferências, visitar missões etc.

Sob os Doze existem, atualmente, quatro departamentos. Cada um é administrado por três ou quatro dos setenta (juntamente com seu pessoal respectivo), sob a direção dos Doze.

Os departamentos são, a saber: o Sacerdócio, Missionário, Genealógico e de Currículo. Procurarei falar rapidamente, mais tarde, acerca de dois ou três departamentos.

O Conselho dos Doze é também responsável pelo planejamento dos seminários para novos presidentes de missão, e de dois, cada ano, para os representantes regionais.

Todos estamos cônscios de que os Doze não têm condições de cumprir todas essas importantes designações sozinhos, e por isso, providências foram tomadas para que recebessem a necessária assistência. Sabeis que, alguns anos atrás, alguns homens foram chamados como assistentes dos Doze, e que, mais recentemente, devido ao rápido crescimento da Igreja, e, de acordo com os ensinamentos de Joseph Smith, esses homens e outros foram indicados para compor o Primeiro Quorum dos Setenta, Esse foi o princípio da ampliação desse quorum, que era formado somente pelos sete presidentes, os quais presidiam os demais quóruns de setentas em toda a Igreja.

Responsabilidades dos Setentas

Com respeito aos setentas, lemos: “Sob a direção dos Doze ou do Sumo Conselho Viajante, os setentas agirão em nome do Senhor, para a edificação da Igreja e para a regularização dos seus negócios em todas as nações…” (D&C 107:34.)

Membros do Primeiro Quorum dos Setenta administram, sob a direção dos Doze, os quatro departamentos aos quais já me referi. O Departamento do Sacerdócio recomenda as normas e procedimentos para o Sacerdócio de Melquisedeque, o Sacerdócio Aarônico, e as auxiliares; e supervisiona os programas de atividade. O Departamento de Currículo provê os materiais de treinamento, livros de lições e manuais não administrativos; é responsável pelas revistas da Igreja, e coordena a produção de todas as publicações da Igreja.

O pessoal da Correlação examina todos os materiais dos cursos de estudo e as revistas, quanto à doutrina, codificação etc., e presta relatório ao Comitê de Correlação, formado pela presidência do Primeiro Quorum dos Setenta, juntamente com o bispo presidente e o Comissário de Educação. Nesse comitê, são correlacionados todos os materiais didáticos e de treinamento, mantendo-se em mente a idéia de preparar cada membro para a obra do templo, o trabalho missionário, as responsabilidades nas diferentes organizações da Igreja e prepará-lo para a vida eterna. Este é, em suma, o propósito total da Igreja: Preparar o indivíduo para a vida eterna.

O Departamento Missionário provê o material de proselitismo, para a preparação dos missionários em perspectiva e para uso no campo missionário propriamente dito. Auxilia nas designações de missionários, e supervisiona o funcionamento dos centros de visitantes e outros assuntos relativos ao programa missionário.

O Chamado de um Missionário

Talvez estejais interessados em saber como um missionário é chamado. O bispo deve entrevistar o missionário em perspectiva antes de falar com os pais, a fim de conhecer a atitude e dignidade do indivíduo antes de qualquer outra pessoa saber que ele ou ela estão sendo considerados. Se julgar que a pessoa é digna e deseja fazer uma missão, debaterá o assunto com os pais; e então, se tudo estiver em ordem, o bispo recomendará o candidato ao presidente da estaca, que fará nova entrevista quanto à dignidade e atitude. Se for considerado digno e desejoso, a recomendação será encaminhada à Primeira Presidência.

Vários fatores são levados em consideração ao se determinar se a pessoa deve ser chamada para fazer missão, tais como as aptidões pessoais contidas no formulário de recomendação e as missões que necessitam de missionários na época. A seguir, mediante inspiração, a pessoa será chamada para a missão onde melhor poderá servir ao Senhor. Ele ou ela receberão, em seguida, um chamado do presidente da Igreja, e, tão logo o recebam, todos os missionários devem escrever uma carta em resposta ao presidente.

Lembro-me de uma história referente a um chamado missionário que achareis interessante, e que mostra como a inspiração do Senhor dirige sua obra. Poderia citar-vos dúzias. Mas, certa feita, após as cartas de chamado haverem sido enviadas a um grupo de missionários, o secretário-executivo do Departamento Missionário recebeu um telefonema da mãe de um rapaz que recebera uma designação para ir à parte leste dos Estados Unidos servir em missão. A mãe disse que ela e o marido estavam muito desapontados, porque tanto o pai do rapaz, quanto o avô haviam servido missões na Alemanha, e todos haviam expressado o desejo de que o rapaz também fosse enviado para uma missão alemã.

O secretário perguntou à mãe como o rapaz sentia-se com respeito ao chamado, e ela replicou que ele estava na escola, e que ela abrira a carta na sua ausência. Ele não sabia ainda para onde seria chamado. O secretário expressou sua surpresa pelo fato de a mãe haver aberto a única carta do presidente da Igreja que o rapaz provavelmente receberia em toda sua vida, e sugeriu que ela lhe telefonasse novamente após o moço tê-la lido.

No dia seguinte, a mãe telefonou novamente pedindo mil desculpas, e disse que a reação do rapaz fora de completa satisfação pelo chamado. Ele estivera orando em segredo para não ser chamado para uma missão no exterior.

Administração do Bispado Presidente

Agora, permiti-me falar-vos sobre a administração do Bispado Presidente. Esses homens são responsáveis pela administração dos negócios temporais a eles designados pela Primeira Presidência. Isto inclui o Patrimônio, onde agem como departamento de prestação de serviços, adquirindo propriedades, construindo e conservando os edifícios, conforme solicitado pela divisão eclesiástica. Também supervisionam assuntos relativos às finanças, registros e fichas de membros, ofertas de jejum, dízimo, compras, tradução e distribuição. E também têm a pesada carga de administrar o Departamento de Serviços de Bem-Estar, cujo programa vital e normas são determinados pelo Comitê de Serviços de Bem-Estar, que é composto pela Primeira Presidência, pelo Conselho dos Doze, Bispado Presidente e presidência da Sociedade de Socorro. No programa dos Serviços de Bem-Estar, incluem-se as Indústrias Deseret, que funcionam em todo o mundo; os programas de bem-estar para as estacas, alas e missões; os armazéns do bispo etc.

O grande crescimento e expansão da Igreja em todo o planeta exigiu que a administração fosse descentralizada, especialmente para a organização e treinamento dos membros da Igreja nas áreas em desenvolvimento, onde há muitos ramos, distritos, alas e estacas que, além de novos, são compostos primordialmente por membros com pouquíssima experiência na administração dos negócios da Igreja.

Por exemplo, em Caracas, na Venezuela, onde estive no ano de 1976, o presidente da missão convocou uma reunião dos membros. Havia trezentas ou quatrocentas pessoas, e nenhuma delas era membro da Igreja havia mais de cinco anos, Um ano depois, organizamos uma estaca naquela cidade, e o membro mais antigo da Igreja fora batizado havia somente sete anos. Estou certo de que é evidente para todos que muito treinamento e assistência são necessários nesse tipo de organização nas áreas em desenvolvimento.

Para a administração dos assuntos eclesiásticos, o mundo foi dividido em áreas presididas por administradores executivos. Doze dessas áreas existem fora dos Estados Unidos e Canadá. Todos os administradores executivos são membros do Primeiro Quorum dos Setenta, e fora dos Estados Unidos e Canadá são designados a residir dentro de sua área.

Para auxiliá-los em sua administração, temos os representantes regionais, homens experientes, qualificados, escolhidos de dentro ou das cercanias da região onde atuarão. Isso possibilita aos líderes das estacas e missões estarem em estreito contato regular com os administradores executivos através dos representantes regionais, em vez de se dirigirem diretamente à sede na Cidade do Lago Salgado, o que levaria muito mais tempo.

A fim de administrar os assuntos temporais fora dos Estados Unidos e Canadá, há diretores para assuntos temporais, os quais, sob a direção do Bispado Presidente, supervisionam esses assuntos nas áreas onde são designados a residir. Novamente, este procedimento torna possível ao povo local obter atenção imediata para seus problemas e provê o treinamento adequado em todas as áreas de administração. Os administradores executivos e os diretores para assuntos temporais cooperam e correlacionam cuidadosamente suas atividades através de reuniões regulares.

Em geral, todos esses assuntos se encontram sob a direção da Primeira Presidência. Especificamente, em reuniões regularmente programadas, a Primeira Presidência se reúne toda terça, quarta, quinta e sexta-feira, às oito horas da manhã, na presença de um secretário que faz um registro completo de todos os assuntos e acontecimentos. Os debates incluem a correspondência endereçada à Primeira Presidência — que contém quase todo tipo de perguntas, desde a propriedade de se furar as orelhas, até apelações das decisões de excomunhão tomadas pela presidência de estaca e sumo conselho. Há perguntas acerca de padrões de vestuário e apresentação, hipnotismo, observância do dia santificado, interpretações de escritura, terapia de grupo, selamentos, reclamações contra líderes locais, reencarnação, doação de partes do corpo à pesquisa científica e outros fins, cremação, transplantes, assuntos legais, adinfinitum.

As decisões também envolvem a escolha de novas presidências de templo, quando e onde novos templos serão edificados, e outros assuntos que serão discutidos na reunião com o Conselho dos Doze Apóstolos e o Bispado Presidente. Planejam, também, as assembleias solenes e as conferências de área em todo o mundo.

Na terça-feira de manhã, às 10,00 horas, reúnem-se com o Comitê de Gastos, que é composto pela Primeira Presidência, mais quatro membros dos Doze, e o Bispado Presidente. Essa é a ocasião em que os chefes dos diferentes departamentos apresentam suas requisições de despesas, e são destinadas as verbas. Exemplos incluem solicitações do Departamento de Patrimônio para aquisição de terrenos ou construções tais como capelas e centros de estaca, casas de missão, centros de visitantes, e assim por diante, e também se debatem os custos de manutenção. O Bispado Presidente também apresenta as requisições envolvendo despesas com projetos de Bem-Estar.

Reuniões da Primeira Presidência

As reuniões da Primeira Presidência na quarta-feira são utilizadas para os relatórios dos chefes dos diferentes departamentos, os quais se dirigem diretamente à Primeira Presidência, tais como os departamentos Histórico, de Pessoal e de Comunicações Públicas. São feitas as programações de visitas importantes também para a quarta-feira de manhã, quando possível. Fico sempre impressionado com a influência que o presidente da Igreja exerce sobre esses visitantes, ao recebermos informações diretas ou indiretas, mediante correspondência ou relatos verbais.

Uma vez por mês, às quartas-feiras, a Primeira Presidência reúne-se com um combinado da Junta de Educação da Igreja e da Junta de Curadores, a fim de tratar dos assuntos relativos às universidades e faculdades, institutos e seminários, e demais escolas da Igreja. E também, mensalmente, na quarta-feira, se reúnem com o Conselho de Coordenação, composto pela Primeira Presidência, Quorum dos Doze e Bispado Presidente. Nessa reunião, discutem-se e decidem-se normas, procedimentos e questões administrativas, a fim de se certificar que as divisões de responsabilidade estão adequadamente esclarecidas e coordenadas. Após essa reunião, reúnem-se com o Comitê de Serviços de Bem-Estar, conforme já mencionado anteriormente.

Nas manhãs de quinta-feira, às 10 horas, a Primeira Presidência junta-se ao Conselho dos Doze na sala superior do templo, onde os Doze já se encontram reunidos desde as oito horas. Ê nessa sala que a liderança da Igreja tem sido dirigida pelo Senhor desde que o templo foi terminado. Sente-se ali um espírito especial, e, por vezes, a presença de alguns desses grandes líderes que já se foram. Retratos dos doze presidentes da Igreja, e também de Hyrum, o Patriarca, encontram-se nas paredes. Há também quadros do Salvador no Mar da Galiléia, onde chamou alguns de seus apóstolos, e outros que retratam sua crucifixão e ascensão. É-nos lembrado, ali o grande número de valorosos líderes que já se assentaram naquela sala de conselho, e sob a direção do Senhor, tomaram grandes decisões.

Quando nós, a Primeira Presidência, entramos nessa sala às dez horas, nas manhãs de quinta-feira, apertamos as mãos de todos os membros dos Doze, e depois vestimos os mantos do templo. Cantamos, ajoelhamo-nos em oração, e então formamos o círculo de oração, junto ao altar, após o que voltamos a usar nossas roupas comuns.

Após a leitura e discussão das atas da reunião anterior, consideramos assuntos tais como: Aprovação de mudanças em bispados, recomendadas pelas presidências de estaca — assunto já previamente discutido na reunião dos Doze (talvez se ja interessante que saibais que durante o ano de 1977 aprovamos uma média de vinte e cinco a trinta novos bispos semanalmente); mudanças nas organizações de estaca, ala, missão e templos, em toda a Igreja, seja nos oficiais ou seus limites; oficiais e administração das organizações auxiliares; assuntos trazidos pelos chefes dos diferentes departamentos; e nossos relatórios de conferências de estaca e outros eventos transcorridos durante a semana, tais como funerais, convites para discursos etc. É nessa reunião que se discutem e aprovam quaisquer modificações na administração ou normas, o que, após decidido, tornam-se norma oficial para a Igreja. Relatar-vos-ei uma experiência com respeito a esses debates.

Recordo-me muito bem de uma ocasião em que um assunto estava em discussão, e vários membros dos Doze tinham pontos de vista divergentes, e os expressaram abertamente. Quando o Presidente McKay encerrou o debate e disse: “Creio que devemos agir desta m aneira”, voltei-me para o irmão junto a mim e disse:

“Não é maravilhoso ver que ele sempre tem a resposta certa, e todos nós sentimos que é certa?”

Meu companheiro voltou-se para mim e disse: “Você está ouvindo o profeta de Deus.” Assim é que sabemos que uma decisão se torna a decisão unânime do grupo, a despeito dos sentimentos de qualquer um de nós, antes de ela ser tomada.

Na primeira quinta-feira de cada mês, a Primeira Presidência reúne-se com todas as autoridades gerais — os membros dos Doze, os setenta e o Bispado Presidente. Nessa reunião, todos tomam conhecimento de quaisquer modificações nos programas ou procedimentos, e são instruídos quanto a seus deveres e responsabilidades. O Presidente convoca os presentes a prestar testemunho, após o que todos envergamos as vestes do templo, participamos do sacramento e de um círculo de oração, composto por todos os presentes. Ao final da oração, todos, exceto a Primeira Presidência e o Quorum dos Doze são dispensados, e os que permanecem mudam de roupa, e continuam com os assuntos regulares das reuniões de quinta-feira. Um secretário registrador faz um relato de tudo o que é dito e feito.

Após cada reunião de quinta-feira, a Primeira Presidência e o Quorum dos Doze almoçam numa sala destinada a esse fim. Nela existe uma adorável gravura da Última Ceia. Esta é uma hora de descanso, descontração, e na conversa falamos de experiências e de assuntos de interesse comum. Eu poderia relatar-vos conversas muito interessantes, se houvesse tempo. Na sexta-feira, às nove horas da manhã, o Bispado Presidente reúne-se com a Primeira Presidência a fim de prestar relatório e tratar de assuntos que afetam a administração.

Negócios Comerciais da Igreja

Como sabeis, a Igreja possui outros negócios comerciais — como a Bonneville International Corporation, Beneficiai Life Insurance Company, Hotel Utah, Zions Securities Corporation, Deseret News e Deseret Mutual Benefit Association — todos operando no interesse da Igreja e prestando serviço ao público. E há, também, arrendamentos de grandes fazendas e ranchos.

Algumas pessoas têm a idéia errônea de que a Igreja não paga impostos. Gostaria de corrigir este conceito e dizer que todas as operações comerciais de propriedade da Igreja pagam impostos, na mesma base que qualquer outra empresa que se lhes possa comparar.

Esperamos e oramos sempre — diariamente — que a Igreja seja adequadamente administrada por aqueles que ocupam posições de responsabilidade — a Primeira Presidência, o Quorum dos Doze, o Primeiro Quorum dos Setenta e o Bispado Presidente — e que os oficiais locais possam, da mesma forma, ser abençoados e dirigidos. Presto testemunho de que a Igreja é dirigida pessoalmente pelo Senhor, através de um profeta de Deus, e oro, humildemente, para que todos possamos reconhecer isso, possamos ter apreço pelos membros da Igreja, e esforçarmos-nos diligentemente para estar preparados para a vida eterna. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

 

(1) N.T. — O presidente Marion G. Romney ocupa a posição entre os Elderes Mark E. Petersen e LeGrand Richards, e o Presidente N. Eldon Tanner entre os Elderes Gordon B. Hinckley e Thomas S. Monson.

Discurso extraído da A Liahona março de 1980

Subtítulos acrescentados pelo SUDBR

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  1. Leandro Queiroz disse:

    Maravilhoso…

  2. Douglas Silva Santiago disse:

    Muito interessante , mas o que é uma assembleia solene ?

  3. Paulo Henrique Correa da Silva disse:

    E ótimo saber como igreja e administrada, pois fortalece nossa fé,e nosso testemunho.

  4. Muito bom saber como a igreja e administrada.